Como conceituar a beleza? Fácil ou difícil? Com precisão… impossível, respondo eu, afinal, para cada um a beleza tem um significado.


“As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. Quem não sabe que essa é a “receita de mulher”, do grande poeta de todos os tempos – Vinícius de Moraes? Ouso discordar, em parte, do inesquecível compositor.


No “Claríssima”, livro que lancei em 2009, coloquei meu ponto de vista sobre o tema: “A beleza vem do interior e não há maquiagem ou grife famosa de roupas, calçados ou perfumes que resolvam, quando dentro não há alegria”. Esse é o foco.


A beleza física tem uma marcante variação desde os primórdios da humanidade. Na antiguidade, as esculturas femininas não tinham rosto. Seios grandes e quadris largos eram os visados, porque a mulher era vista como símbolo da procriação. Com a evolução, as mulheres deveriam ser corpulentas para serem tidas como saudáveis, e assim eram retratadas nas telas renascentistas. Com o tempo, a tirania da magreza ganhou destaque, e por aí afora.

Viver bem interfere decisivamente na beleza exterior. Alguns dizem que é fácil ter esse entendimento, quando a própria imagem foi privilegiada pela natureza. Outros questionam da possibilidade de viver bem no universo atual, onde as pessoas são abraçadas, a cada dia, por mais estresse, onde a inveja, a falsidade e a ingratidão são tão gritantes a ponto de conduzirem à corrupção e às tragédias.
Como, então, ser belo? Eis aí a grande virtude – ser feliz mesmo quando se está triste – sem medos e em paz. A beleza é consequência natural.

Imagem: Freepik


Ao lado dos fatos negativos caminham alternativas. Jamais houve tanta busca, por parte do ser humano, por autoconhecimento, alimentação saudável e religiosidade e culto ao corpo. Tudo isso, carrega ao bem e ao belo – a beleza física é transitória e a espiritual… permanente.


Daí… nasce o novo dia. Os olhos transmitem o brilho que brotou da alma, a pele torna-se viçosa, sem marcas de amargura e, dos lábios, só sorrisos de gratidão pela vida e por ter como resposta do espelho, a cada manhã, o quanto se é belo.

Colunista: Clara Monforte | Advogada, colunista social e apresentadora de TV