É fascinante perceber como pequenos comentários levam a grandes conclusões. O pensamento voa ao ouvi-los, a imaginação se expande de tal maneira que atinge horizontes desconhecidos… perdidos em nosso subconsciente. Nos instantes dessas divagações o tempo é tão veloz que, quando percebemos, brotam em nós os mais diversos sentimentos.


O caso a seguir é todo ele banhado de ternura e bem-estar. Dirigia eu o meu carro com uma amiga ao lado quando, de repente, tocou no rádio a consagrada “Dio Come Ti Amo”, a imortal canção italiana. Sem mais, nem menos, ela comentou: “Como é bom ouvir músicas românticas quando se tem em quem pensar”. Surpresa, perguntei: “Por que você falou isso?”. A resposta foi enfática: “Porque atualmente não estou apaixonada por ninguém!”.


Pronto… essa frase foi suficiente para, como sempre, eu iniciar a minha costumeira análise sobre coisas que cercam a vida e sem as quais não há como nos sentirmos bem.


Considerei, por primeiro, o quanto amo as músicas, o quanto gostaria de saber cantar e o quanto adoro dançar. Mas não era esse o foco! A questão era mais profunda… era ouvir e, de imediato, lembrar de alguém a quem se ama e associar a essa ou àquela música momentos com a pessoa amada.


Todos, ou muitos, fazem isso, entretanto, sem a exata noção da importância do sentimento de sermos balançados entre a melodia e o amor, ou mesmo, a paixão por alguém. Não importa… Ambas as sensações são válidas até porque, por vezes, nem sabemos distinguir uma da outra.

Que percepção incrível vivenciarmos ocasiões um tanto distantes, que já deveriam estar na gaveta do passado e, no entanto, vêm para o aqui e agora mais presentes do que nunca!
Que poder é esse que a música tem? Quanta magia nos ritmos, seja das românticas ou dos sambas rasgados, aliás, os meus preferidos. Todas as cadências são sentimentais.
Que dom, ou talento, têm os compositores, por vezes, sem a expressão e fama daqueles que soltam a voz, ou seja, dos cantores? Que privilégio o deles que, unindo as palavras com a harmonia, conseguem fazer bater mais forte tantos corações?

Imagem: Freepik


Com certeza, esse dom é… merecimento! E, para nós, ouvintes contagiados pela emoção sentida com a música, cabe o outro lado da moeda… deixarmos fluir a emoção como se palavra por palavra tivesse sido escrita para nós e, principalmente… termos alguém para amar e para pensar ao toque de cada nota musical marcada pelo momento e pelo tempo!

Colunista: Clara Monforte | Advogada, colunista social e apresentadora de TV