Entre 2023 e 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou, em São Paulo, um aumento de 50% de atendimentos de saúde mental para crianças de 5 a 9 anos. Apenas em 2025, foram 1,2 milhão de atendimentos, o maior volume entre todas as idades pediátricas. Para a professora da Universidade Anhembi Morumbi – cujo curso de Medicina é parte integrante da Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil – Déborah Albernaz, o cenário atual exige atenção qualificada.

“Mais do que uma ‘epidemia’ isolada de transtornos mentais, estamos diante de um aumento do sofrimento psíquico infantil, que nem sempre configura um diagnóstico formal, mas que merece atenção”, avalia a pediatra, que é mestre em Saúde Materno-infantil.

Na visão da médica, os dados refletem mudanças relevantes no desenvolvimento infantil e no contexto social contemporâneo. “A infância é um período de intenso amadurecimento emocional, social e cognitivo. É quando a criança começa a compreender regras sociais, desenvolver autocontrole e ampliar suas relações para além da família”, explica.

A especialista destaca que a entrada no Ensino Fundamental – com 5 ou 6 anos – representa um ponto de importante. “A maior cobrança por desempenho e a comparação com outras crianças aumentam a exposição às frustrações e podem revelar ou intensificar dificuldades emocionais e comportamentais”, afirma. “Essa é uma fase altamente sensível a estressores externos, porque a criança ainda não possui recursos psicológicos maduros para lidar com conflitos”, complementa.

Segundo a professora, outro fator a ser considerado é o aumento do uso de telas, cada vez mais presente na rotina infantil. “O uso excessivo de telas está associado à pior qualidade do sono, menor interação social real, maior irritabilidade e baixa tolerância à frustração. Além disso, reduz o brincar livre, que é essencial para o desenvolvimento emocional e social”, pontua.

O ambiente familiar também exerce influência direta na saúde mental infantil, já que as crianças absorvem o ambiente ao redor, mas nem sempre conseguem elaborar emocionalmente o que vivenciam. “Conflitos familiares, separação dos pais e sobrecarga emocional dos cuidadores pode gerar sofrimento psíquico significativo”, alerta.

Mais diagnósticos

Apesar do cenário desafiador, parte do aumento nos atendimentos está relacionada a avanços na conscientização e no acesso ao cuidado. “Hoje há maior conscientização de pais e escolas, redução do preconceito em buscar ajuda psicológica e ampliação da rede de atenção em saúde mental”, afirma. “Isso significa que mais crianças estão sendo identificadas e acompanhadas precocemente, o que é positivo do ponto de vista do prognóstico”.

Imagem: Freepik

Sobre a Universidade Anhembi Morumbi

A Universidade Anhembi Morumbi, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima, oferece programas de graduação, graduação tecnológica e pós-graduação lato sensu e stricto sensu, distribuídos nas áreas de Ciências da Saúde; Turismo e Hospitalidade; Negócios; Direito; Artes, Arquitetura, Design e Moda; Comunicação; Engenharia e Tecnologia e Educação. Além disso, a Medicina da Universidade Anhembi Morumbi é parte da Inspirali, um dos principais players de educação continuada na área médica do país”. Seus cinco campi estão localizados nas regiões da Avenida Paulista, Vila Olímpia, Mooca, São José dos Campos e Piracicaba.

Possui laboratórios de última geração e diferenciais como a internacionalidade, já tendo enviado, desde 2006, milhares de alunos do Brasil para realização de cursos no exterior, além de receber centenas de estudantes estrangeiros em seus campi, que se tornaram locais multiculturais para o aprendizado. A Anhembi Morumbi também contribui para democratização do Ensino Superior, ao oferecer cursos digitais com diversos polos dentro e fora de São Paulo. Além disso, o aluno aprende na prática desde o primeiro dia de aula.  Saiba mais sobre a Anhembi Morumbi em https://portal.anhembi.br/.