Colunista: Clara Monforte | Advogada, colunista social e apresentadora de TV
Conheço você, mas nem sei exatamente quem você é. Seu rosto é, para mim, a expressão de alguém feliz, mas sei que não é!
Jovial sem ser jovem. Percebo sua liderança e sua insegurança também. Extrovertido, mas nem sempre. Sorridente demais, com extremas características de que o abatimento o rodeia. Alma pura e coração bom nasceram em você. Atitudes espontâneas, sim. Impensadas, nunca! Generoso, mas com traços egoísticos. É líder frente a tudo e a todos, mas vive escondido dos sentimentos.
O olhar estacionado demonstra sinceridade. Porém, está sempre desconfiado. Ingenuidade em determinadas análises, com uma constante dose de malícia. Inteligente, e sem aprimoramento também.
Vivência não lhe falta; se positiva ou negativa, eu não sei. É muito carente, mas demonstrar esse sentimento… nem pensar!
Quem é você? Vejo a imagem de alguém com um talento máximo para seduzir, encantar e persuadir. Impressão? Claro que não. Se não sei quem você é e, consequentemente, não consigo entendê-lo… como posso captar tantos traços de sua personalidade? Observação, percepção ou intuição? Nenhuma das três hipóteses. É que tais aspectos são tão nítidos e, ao mesmo tempo, tão contraditórios que pulam como bolinhas de gude por todos os espaços em que você circula.
Não chegamos aqui agora, mas nossos destinos se cruzaram. E agora? O que e como fazer? Silêncio! Preciso pensar. Sinto a sua presença, a sua falta e os momentos inexistentes. Que coisa paradoxal! Será, então, que posso dizer quem você é?
Obrigatoriamente, não! Os relâmpagos da dúvida são fortes demais, até porque pormenores já foram ditos, redidos e revelados. Isso tem explicação: a não admissibilidade do óbvio. Este é desconfortável, é maçante, não instiga a criatividade nem aguça o raciocínio… é óbvio!
Nessa miscelânea de pensamentos, como fica a sintonia? Autêntica, liberal, esplêndida, inegável. Uma explosão de entrosamento de alma! Um sinaleiro nas cores reais e habituais verde, amarela e vermelha. Esta não muda: rubra, vibrante e encarnada. Decisiva!
Ah, lembrei novamente… Quem é você? Não sei exatamente quem você é. Sua imagem fugiu antes de chegar. Foi só um ensaio. Ficou no ar apenas a pergunta: quem é você?

