A recente aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de novas versões injetáveis à base de semaglutida deve ampliar as opções disponíveis para pacientes que fazem tratamento para obesidade. Entre os novos registros estão uma versão genérica e uma similar, o que pode aumentar a oferta de medicamentos que utilizam o princípio ativo associado a marcas como Ozempic e Wegovy.
Com a popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, porém, cresce também a necessidade de esclarecer ao paciente o que muda, quem realmente pode se beneficiar do tratamento e quais cuidados devem ser considerados antes e durante o uso.
Para Marcelo Bechara, médico clínico e cirurgião geral, especialista em ciência da obesidade, medicina integrativa e longevidade, a chegada de mais opções ao mercado podem ampliar o acesso ao tratamento, mas não deve levar à ideia de que a semaglutida é uma solução isolada para a perda de peso.
“As novas versões do medicamento facilitam o acesso ao tratamento, mas precisam ser inseridas dentro de uma estratégia de cuidado. Obesidade é uma doença crônica, e o objetivo não deve ser apenas perder peso rapidamente, mas melhorar a saúde metabólica e manter os resultados ao longo do tempo”, explica.
O que muda para o paciente?
A principal novidade é a ampliação das opções de medicamentos à base de semaglutida. Genéricos e similares têm o mesmo princípio ativo do medicamento de referência, embora os similares possam apresentar diferenças permitidas em aspectos como apresentação e identificação comercial. A substituição deve ser feita com orientação médica. “A semaglutida promove saciedade e auxilia no controle alimentar, com benefícios no peso e cardiovasculares em alguns pacientes. A indicação deve ser individualizada, considerando causas do ganho de peso e outras condições de saúde, e não para uso estético indiscriminado”, explica Bechara.
Outro ponto fundamental é que a medicação não substitui alimentação adequada, atividade física e acompanhamento médico. Além disso, estudos mostram que parte importante do peso perdido pode ser recuperada após a interrupção do tratamento, reforçando a necessidade de planejamento de longo prazo.
Entre os efeitos adversos mais conhecidos estão náusea, vômitos, diarreia e constipação, principalmente relacionados ao sistema gastrointestinal. Por isso, o uso deve ser acompanhado por profissional habilitado, que poderá avaliar indicação, dose, contraindicações, interações medicamentosas e possíveis complicações.
De acordo com o médico, a popularização das canetas emagrecedoras pode dar a falsa ideia de solução rápida. Segundo ele, o tratamento deve começar pela avaliação do paciente e da definição de uma estratégia, e não da escolha de uma caneta”, finaliza.

