Estima-se que 4% da população brasileira tenha dislexia, o que representa mais de 8 milhões de pessoas, enquanto a Associação Internacional de Dislexia aponta prevalência mundial de cerca de 10%. O tema ganha destaque em novembro, mês de conscientização que inclui o Dia Nacional de Atenção à Dislexia, celebrado em 16 de novembro e instituído pela Lei nº 13.085/2015.
Nesse contexto, a especialista em Iluminação Saudável Adriana Tedesco alerta que o tipo de luz elétrica a que a pessoa está exposta pode influenciar diretamente a concentração, o conforto e a autoestima de quem convive com o transtorno.
A iluminação projetada de forma adaptativa pode contribuir para o bem-estar e a concentração de pessoas com dislexia, pois atende de forma específica às maiores dificuldades associadas a cérebros neuroatípicos. “Para isso, o projeto deve partir das necessidades dos usuários. Pequenos ajustes já fazem diferença: aumentar a intensidade luminosa na temperatura de cor mais branca, reduzir contrastes e ofuscamentos, dar preferência à iluminação difusa e uniforme e permitir que o próprio usuário regule a temperatura de cor e a intensidade conforme a atividade realizada”, explica a especialista.
De acordo com a Adriana, para momentos de leitura e estudo, a recomendação é utilizar luzes mais brancas e intensas, como as de 4000K, aplicadas de forma difusa e uniforme. Além de favorecer o desempenho visual e cognitivo, a iluminação saudável tem impacto na saúde de forma geral. Quando projetada de maneira dinâmica, simulando a rota do sol ao longo do dia, e adaptativa, a luz elétrica contribui para o equilíbrio dos biorritmos.
A especialista também destaca a importância de valorizar a luz natural, que tem papel no equilíbrio emocional e na regulação do humor e da produção de serotonina. A luz elétrica, nesse cenário, atua como coadjuvante em ambientes que aproveitam bem a luz do dia e como protagonista quando ela é escassa.
Outro ponto de atenção é a ordem técnica. Pessoas com dislexia e outros cérebros neuroatípicos tendem a ser mais sensíveis ao flicker dos LEDs, o leve pulsar da luz, imperceptível para muitos, mas incômodo para alguns. Por isso, é necessário utilizar luminárias que atendam a protocolos de saúde, e a avaliação dos produtos seguros para cada projeto deve ser feita por um Lighting Designer com conhecimento desses aspectos.
“A iluminação projetada de forma adaptativa pode contribuir para aumentar o bem-estar e a concentração de pessoas com dislexia. Quando projetada de forma dinâmica, simulando a rota do sol ao longo do dia, e adaptativa, a luz elétrica contribui para o equilíbrio dos biorritmos e promove mais tranquilidade e autoestima”, afirma.
Em um mês voltado à conscientização e ao acolhimento, o lembrete da Adriana é simples: a luz certa pode iluminar muito mais do que um ambiente, pode transformar a experiência de aprendizado e o bem-estar de milhões de pessoas.

