A dúvida existe… À exceção dos mais espiritualizados, dos mais crédulos e dos que mais se aperfeiçoam no conhecimento do abstrato… a pergunta persiste: quantas são as nossas vidas?


Aqueles que estudam as leis do invisível tornam-se fiéis a esses princípios e, pouco a pouco, temem mais a vida do que a morte. Sofrem menos com as despedidas, desde a perda de um amor em vida, até a última separação neste espaço. Têm a certeza do reencontro. Talvez sejam mais felizes por essa razão.
Os menos esclarecidos nesse aperfeiçoamento valem-se da convicção de que as nossas almas estão interligadas com aqueles que, de maneira ou outra, compartilham alguns momentos em nossas vidas.
É confortante admitir que outras vezes estiveram unidas e se separaram. Quantas vidas feitas de encontros e desencontros já passaram? Impossível saber.


A esperança de que tenham em outras passagens convivido juntas, se apoiado e, sobretudo, se amado é a grande incentivadora da promessa de que possam se reencontrar outra vez… outra… e mais algumas.
O afeto interliga as almas com tamanha intensidade que se tornam inseparáveis… para sempre. A maior prova são os reencontros nesta existência.


Os sentimentos brotam num encontro casual, num simples toque, num olhar ou numa palavra. Por vezes é inesperado e, na maioria das circunstâncias tão incompreensível que gera dúvida e inquietação. Só há uma certeza… o coração bate mais forte, agita-se a cada lembrança e faz crescer a intenção do reencontro. Os olhos querem ver, constatar e crer!


Saber o que representaram para os seus em outras vidas, seria bom demais. Os que buscam, muitas vezes encontram respostas espirituais e acreditam. Mas isso é uma conquista muito pessoal, indivisível.
O desconhecido assusta. As experiências nesse item não são compartilhadas. O percurso é longo demais entre o querer e o saber, sobre uma realidade que pode ter existido há milênios.


A viagem é longa e solitária! Em cada passagem, ou seja, a cada reencontro, emoções, decepções, amor, prazer e desprazer se repetem… insistentemente.
Será que há, nesse novo caminho, a possibilidade de aprender, de aperfeiçoar e de traçar uma outra trajetória mais doce, mais amena e mais intensa?


A gratidão pelos rumos passados teria sido suficiente para chegar à permissão da chamada “evolução”?
As subidas e descidas são uma realidade, da qual não se escapa. As experiências compartilhadas no percurso são uma alavanca para atingir o que é destinado e preparar para os reencontros que acontecerão. Oxalá seja assim.

Colunista: Clara Monforte | Advogada, colunista social e apresentadora de TV